Fotos de home theater para salas

Fotos de home theater para salas

Mais uma abordagem sobre acústica. Desta vez, colocamos em discussão a utilização de difusores em salas de audição.

Por: Eduardo Martins

 

absorvxdifus

Há cinco anos, recebi uma consulta de um leitor de nome Gabriel, sobre um equipamento que testei na época.
Isso ocorreu justamente num momento em que eu estava remodelando a minha sala, e nos e-mails que trocamos me chamou a atenção um comentário que ele fez: “Por isso prefiro mais os fones de ouvido do que caixas acústicas.”
Sua observação ganhou maior atenção de minha parte quando tomei conhecimento que ele era um engenheiro  de gravação, e que tinha uma boa formação em acústica de salas de música.

Quando eu quis entender um pouco mais sobre a sua preferência por fones, ele me disse: “A sala interfere muito na reprodução das gravações, chegando ao ponto de nos fazer acreditar que nem se trata da mesma gravação”, e continuou: “Tratar a acústica de uma sala de audição é diferente de tratar um estúdio de gravação. Esta confusão é comum até entre os profissionais experientes do ramo. Eles erram e prejudicam a fidelidade da gravação de tal modo que todo o trabalho de estúdio acaba perdendo o sentido.”
Estas frases eu extraí de seus e-mails e, portanto, são suas palavras exatas.

No final os papéis se inverteram. Como eu estava considerando retrabalhar a acústica da minha sala, acabei me interessando em conhecer as suas opiniões sobre o tema, e foi quando discutíamos as opções do mercado para tratamento acústico que eu me surpreendi com outro comentário que ele fez, e que também transcrevo aqui com os trechos mais importantes desta observação:

“Um erro muito comum é a utilização de painéis difusores em salas de audição. Difusores devem ser usados em estúdio, pois quem sabe utilizá-los corretamente consegue criar uma ambiência mais rica à gravação, que normalmente não é encontrada num estúdio onde o excesso de soluções de isolamento acústico acaba matando a sala.”

“Difusores não devem jamais ser utilizados numa sala de audição, pois eles “espalham” o som, e, afinal, quem quer ver as ondas sonoras serem espalhadas num ambiente?”

“Idealmente, os únicos sons que deveriam chegar aos nossos ouvidos seriam aqueles provenientes das caixas acústicas. O ambiente deveria ser absolutamente neutro para não refletir ou interferir de nenhuma forma nas ondas sonoras. O pessoal tem um desejo equivocado de querer controlar estas reflexões, principalmente as primárias e secundárias, mas na verdade não deveria tentar controlar nada, mas apenas sumir com elas, o que possível com a absorção, e não com a difusão. Quando eu entro numa sala de audição destes audiófilos que adoram encher as paredes de difusores, misturados ou não com absorvedores, eu já sei que dali não vai sair coisa boa. Dito e feito. Porque diabos o cara quer refletir as ondas pela sala e de forma desordenada? Porque é isso o que os difusores fazem na prática.”

“… e esse negócio de cálculo matemático para construção de difusores é de tamanha bobagem que só serve para dar uma conotação mais tecnológica ao produto, mas na prática a distribuição e altura daqueles bloquinhos não conseguem agir com a precisão que os projetistas alegam. Isso é impossível, mas eles insistem que aquela p… tem toda uma teoria de desenvolvimento que beira a complexidade da engenharia espacial rs rs rs”

“Concentre-se em absorver as reflexões e ouvir o som das caixas. Quanto mais você cancelar a interação entre a caixa e o ambiente, mais próximo você estará de reproduzir com precisão o que foi gravado no disco… então esqueça difusores, pois na sua sala não servem para p… nenhuma, só mesmo para atrapalhar.”

“Não existe isso de sala morta, é sala neutra. Você deve absorver as reflexões e não os sons diretos da caixa. Se não souber posicionar as caixas ou fazer o tratamento correto, então aí terá uma sala “abafada”. Da forma como lhe orientei, você não corre este risco.”

Absorvedor acústico usado no tratamento de salas de som.

Absorvedor acústico usado no tratamento de salas de som.

Há um ano, quando eu desenvolvia o projeto da minha sala atual, tentei novo contato com o Gabriel, mas não tive resposta aos meus e-mails. Através de seu endereço eletrônico, identifiquei o estúdio onde ele trabalhava e liguei lá, mas ele já não estava mais lá. O Gabriel havia se mudado para os EUA, aceitando trabalhar num estúdio em Manhattan. Parece que este é o destino de muitos profissionais competentes desta área. Ninguém soube me informar seu novo e-mail ou um telefone de contato, fosse por real desconhecimento ou por conta de alguma orientação neste sentido.

Este novo projeto da minha sala teria que receber uma atenção especial na acústica, pois para mim estava cada vez mais claro a importância da elétrica e da acústica num sistema de som.
Sem mais contato com o Gabriel, comecei a pesquisar mais profundamente o assunto, e entrei em contato com um amigo europeu que trabalha numa fábrica de caixas acústicas high-end, num elevado cargo técnico. Foi ele um dos que me ajudaram a desenvolver o projeto das minhas (projeto “A Caixa” apresentado aqui no Hi-Fi Planet), me fornecendo dicas preciosas de recursos que sequer fabricantes das melhores caixas high-end do mundo se preocupam em incluir em seus modelos, pois muitas vezes visam a redução de custos.
Este amigo, que não posso identificar aqui para não comprometê-lo, quando indagado sobre os comentários do Gabriel, me disse que ele estava correto nas suas afirmações, que usar difusores acústicos numa sala de audição estéreo de alto nível não era recomendado, e que já havia muitos posicionamentos de especialistas neste sentido.

Sala tratada com painéis acústicos.Sala tratada com painéis acústicos.

Meu próximo passo nesta direção de tentar identificar as melhores opções para o tratamento acústico da minha sala me levou até o Jim Smith, autor do livro “Get Better Sound”, que traz algumas das mais interessantes abordagens sobre ajustes de sistemas de som. O Jim é mais um daqueles cidadãos inconformados com tantas bobagens que o mercado criou em torno do áudio de alta-fidelidade, frequentemente desmistificando algumas “verdades” não tão verdadeiras assim. Ele é outro defensor da não utilização de difusores em salas de audição.

Já conversei com o Jim várias vezes, inclusive recentemente para juntar seus conhecimentos em outro tema que pretendo abordar em breve, sobre um questionamento relativo ao palco sonoro de um sistema estéreo.
O Jim me lembrou de um breve artigo que escreveu sobre este assunto como um adendo de seu livro. Recomendo que todos leiam as “Quarter Notes” do Jim, uma coletânea de interessantes abordagens deste hobby e que atualiza e complementa o seu excelente livro (www.getbettersound.com).

Nesta abordagem, Jim também questiona a aplicação de difusores como solução acústica em uma sala de audição, afirmando que:

“Eu sei que muitos “especialistas em acústica” exigem dispersão nas salas. Em tempos anteriores, eu também fiz isso. Mas como eu me tornei mais consciente do envolvimento musical como a principal coisa que quero alcançar, surgiu algumas revelações que eu gostaria de compartilhar.
O primeiro ponto relaciona-se à gravação original. Como engenheiro de gravação, fiz a gravação para incluir o espaço de reverberação aplicável. Se a minha gravação de coral incluísse o espaço reverberante do local da gravação, a última coisa que eu desejaria ouvir é que os ouvintes injetassem o som de suas salas na reprodução da minha gravação!”

“Aqui está um exemplo – Nas gravações de coral, quando o som de um coro cai para o silêncio, espera-se ouvir algumas das reverberações registradas do salão. Uma vez que os audiófilos costumam adicionar dispersão para criar um som mais vivo, a decaimento natural do som gravado agora terá um novo e ainda maior atraso. E a informação musical será obscurecida.”

“Os audiófilos, que são acostumados a adicionar reverberações dispersas da caixa e da sala ao seu som, ficam sempre espantados ao ouvir o som natural da mesma gravação quando ele é revelado. É quase como se o conteúdo emocional da música estivesse escondido. E o sistema soa mais realista e, surpreendentemente, ainda mais vivo.”

“Quando consideramos o silêncio entre as notas, por que deveríamos querer diminuir o que os compositores e os artistas pretendiam? Em outras palavras, queremos que nosso sistema continue a reverberar e mudar o impacto que se intencionava?”

“Fabricantes de caixas acústicas apresentaram no passado demonstrações “ao vivo e gravadas”. Um dos mais bem sucedidos em suas demonstrações foi a Acoustic Research. A AR descobriu que mesmo uma gravação de voz solo poderia ser alterada inaceitavelmente quando os efeitos da sala eram adicionados à gravação.”

“Quando escrevi Get Better Sound , mencionei que imaginava que o melhor ambiente de audição de reprodução de áudio era provavelmente um pouco “vivo”. Nos últimos oito anos ou mais, essa opinião evoluiu um pouco. Agora, eu prefiro o neutro e até o lado “menos vivo” do neutro.”

Na última vez que falei com o Jim, ele me comentou que estava evoluindo nestes estudos, e que havia notado que os famosos painéis difusores de bloquinhos de madeira e outros “cuidadosamente dimensionados por sofisticados programas de computador” são muito limitados em relação aos efeitos anunciados, seja por razões físicas ou pela própria ineficácia do método, e que ele tinha conseguido resultados superiores retirando a interação da sala sobre o som das caixas acústicas.

Painel difusor feito com tocos de madeira.Painel difusor feito com tocos de madeira.

Quem quer, afinal, modificar o som reproduzido pelas caixas acústicas? Devemos lembrar que os fabricantes mais sérios de caixas acústicas testam e ajustam os seus projetos em câmaras anecoicas, onde qualquer reflexão é eliminada para que não interfira no resultado sonoro produzido pelos alto-falantes das caixas.
Querer dispersar o som produzido por uma caixa em nossa sala é criar uma aberração desnecessária.  Não nos interessa produzir ecos que não estão na gravação. Não é aceitável que qualquer sala ou tratamento acústico modifique a reverberação do registro original.
Não é razoável que o audiófilo gaste fortunas em equipamentos de ponta e depois permita que componentes da sala interfiram no som reproduzido pelas caixas, que deveriam ser fiéis às gravações.
O mais inteligente a fazer é tentar absorver todas as reflexões importantes da sala, deixando-a mais neutra possível. Sons refletidos em paredes, objetos ou mesmo painéis difusores vão provocar inevitáveis alterações no conteúdo final. Você pode readequar o som ao seu gosto ou necessidade, mas não na forma de uma interferência como esta, onde temos pouco ou nenhum controle preciso sobre o acontecimento.

Importante mencionar que o medo de acabar com uma “sala morta” é injustificável, pois na verdade a expressão deveria ser trocada para “sala neutra”, Há um conceito errado aqui que precisa ser corrigido para que o usuário compreenda melhor o efeito obtido. A expressão “morta” leva à uma falsa idéia de uma reprodução “sem vida”, quando na verdade nada é subtraído, mas tão somente preservado.

O aqui mencionado engenheiro responsável pelo desenvolvimento de caixas acústicas high-end, me comentou que é comum alguns usuários de painéis difusores relatarem melhora de foco, de palco ou detalhamento do som. Nestes casos, diz ele, não se trata de uma virtude do painel, mas de um problema com a absorção das reflexões da sala, já que muitas salas são projetadas sem os devidos cuidados acústicos, criando reflexões indesejadas que algumas vezes podem mudar de comportamento com os painéis ou provocarem falsas sensações (maioria dos casos). Mas, o que se deseja não é tentar controlar estas reflexões, até porque isso é impossível com estes recursos, mas sim eliminá-las definitivamente de nossas salas.

Eu já visitei muitas salas de audição estéreo, e todas aquelas que utilizavam difusores acústicos sempre apresentaram reproduções menos agradáveis e mais imprecisas do que aquelas que possuíam painéis absorvedores, e as medições realizadas, quando possível, mostravam claramente que os problemas ainda estavam lá.
Eu cheguei a testar alguns destes painéis tipo “tocos de madeira” em minha sala, variando quantidade e localização, e em todas as experiências eu não consegui a mesma qualidade superior de som como quando eu testei somente absorvedores como solução de tratamento acústico.

Painel absorvedor acústico decorado. Além de muito recomendado, esta solução apresenta um resultado visual menos intrusivo que os difusores comuns.Painel absorvedor acústico decorado. Além de muito recomendado, esta solução apresenta um resultado visual menos intrusivo que os difusores comuns.

Alguns insistem que salas com muita absorção soam “mortas” demais. Isso ocorre porque não ajustam o seu sistema de forma correta, já que o som direto que sai das caixas acústicas deveria ser o único som a chegar aos seus ouvidos, e se ele parece “abafado”, é porque o ouvinte se acostumou com a reverberação ou não teve êxito no ajuste da sala, não promovendo, por exemplo, o correto ajuste de eixo das caixas (toe-in).

Como sempre, surgirão aqueles críticos dizendo que este autor foi infeliz na apresentação deste artigo. Mas, gostaria de ressaltar que não sou eu quem faz estas afirmações, e que além das opiniões dos respeitados especialistas aqui apresentados, há inúmeros estudos e conclusões semelhantes a estas que podem ser conhecidas numa busca pelo tema na internet.
Devoto ou não destas opiniões, recomendo fortemente que o leitor faça as suas próprias experiências, para ao final escolher a solução que achar mais adequada para o seu caso (gosto não se discute). Mas, sugiro que considere estes estudos com muito carinho, antes de firmar a sua escolha.

Eu fiz a minha opção, e desenvolvi um projeto acústico bastante criterioso, não pela minha cabeça ou pela opinião de quem quer que fosse, mas com base em muitas informações técnicas cuidadosamente selecionadas. Com todo o respeito que os grupos de discussão e publicações especializadas (ou que se acham especializadas) merecem, há muita desinformação sobre (mais) este assunto sendo divulgada, e que tem como objetivo apenas colocar um sorriso na cara de fabricantes, revendas e anunciantes.

Precisamos rever conceitos, repensar soluções e passar a enxergar o áudio com mais objetividade e menos achismos, pois há um abismo enorme entre o certo e o errado e que tem engolido os audiófilos há muitos anos. Muitos chamam este abismo de “o misterioso universo do áudio high-end“, criando um misticismo muito conveniente aos mais diversos interesses.

fortheserious

Atualização em 06.11.2017

Recebi uma colaboração de nosso querido leitor e amigo André Dias.
Ele abordou uma questão tão importante que eu preferi incluí-la neste artigo como uma atualização.
Muitas vezes o nosso hobby pode ocultar alguns perigos que devem ser conhecidos para que não acabem em tragédias.
Vale a pena tomar conhecimento destas informações abaixo. Muito obrigado André.

Ao revestir uma sala, podemos estar criando um local perigoso.
Os materiais utilizados nessas placas, painéis, etc, podem ser de fácil combustão.

Um colega do corpo de bombeiros me recomendou utilizar spray de proteção contra fogo, não sei como seria o nome correto no Brasil. Compro aqui como “Fireproofing Spray”. Trata-se de um composto químico para retardamento da combustão.

Esse Spray é utilizado para aplicação em decorações de festas, isolaçao acústica de disco clubs, restaurantes, etc.

Quem tem isolação acústica com espuma de PU (poliuretano), aquelas típicas em formato de pirâmide, tem um risco ainda maior; muito antes de sofrer queimadura, a pessoa pode ser asfixiada pelo gás cianídrico, resultante da combustão da espuma PU.

Ao montar a sala, muitas vezes essas placas ou espumas, são fixadas próximas às tomadas ou a fios elétricos. Muitas vezes a instalação elétrica da sala é caseira, com fios mal dimensionados, que podem vir a aquecer e pegar fogo.

Aqui em casa, apliquei o spray na sala toda. Fiz um teste com placas com e sem aplicação do Spray. A diferença na rapidez de combustão é impressionante. Coloquei também detetores de fumaça nos quatro cantos da sala. Um por ambiente, já é obrigatório aqui na Alemanha.

Do lado de fora da sala, como é porão, instalei um extintor de uso doméstico.

Claro, alguns podem achar exagero, mas minha filha assiste a filmes lá, com outras crianças. Acho que vale a pela a precaução, principalmente entendendo o risco adicional que o tratamento acústico pode trazer ao ambiente.

É isso, com o Spray pra retardar a combustão, e o detetor de fumaça com aquele alarme alto e agudo, podemos aumentar consideravelmente a chance de conseguir correr a tempo lá do quintal, do churrasco com os amigos, até a sala onde as crianças assistem a um filme.

Quem quiser pesquisar mais sobre o assunto, há bastante informação disponível no Youtube, principalmente em inglês.

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