Como tomar fotografias de autos

Como tomar fotografias de autos

Foto: André Kertesz

“Por anos, tem se acreditado que lâmpadas elétricas emitem luz, mas, na verdade, elas são sugadoras de escuro”. Foi apresentando os argumentos desta teoria que o professor Guilherme Lund começou uma de suas aulas de iluminação no Curso de Fotografia da ESPM. A tese, intitulada “A Teoria do Escuro” (disponível na íntegra no site Dramaturgia da Sombra), tem autor desconhecido, mas busca provar que o escuro existe, possui massa, e é mais poderoso, pesado e rápido que a luz. Um de seus argumentos afirma que uma vez cheios de luz, os sugadores de escuro param de funcionar – o que pode ser provado pela mancha preta que aparece em lâmpadas queimadas: “Uma vela é um sugador primitivo. Quando nova, tem um pavio branco. Depois do primeiro uso, o pavio se torna preto, representando todo o escuro que foi sugado para ele”.

Regina Silveira

A teoria, que segue tentando provar todas as suas suposições, tem tom de brincadeira, não é confirmada e nem pode servir de referência, mas foi mostrada pelo professor por um relevante motivo: sacudir a percepção dos alunos à respeito da iluminação e da sombra. “Essa quebra de ideias é necessária. Às vezes ficamos tão mergulhados na luz que esquecemos da sombra, do escuro, e de sua importância”, explicou. Na sequência, o professor mostrou aos estudantes o trabalho do fotógrafo André Kertesz, que foi realizado enquanto estava confinado em um apartamento em Nova Iorque.

Foto: André Kertesz

Foto: André Kertesz

Relacionar o uso da sombra às aulas de iluminação também inspirou uma das tarefas propostas pelos professores Leopoldo Plentz e Raul Krebs, “A sombra da luz”, que instigou os alunos a utilizarem a sombra como um elemento de composição. Nas palavras de Leopoldo, “para que a fotografia exista, é preciso ter luz e sombra, não apenas luz. Toda a intensidade de luz causa sombra, é sombra. E a sombra cria desenhos, volumes, tonalidades”. Enquanto explicava, o professor mostrou imagens de sua autoria nas quais predominavam diferentes tonalidades de cinza – “são esses tons que dão as formas quando se trabalha apenas com materiais brancos. O branco é um tom de cinza”, explicou.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Leopoldo explica que se trata de uma proposta subjetiva, não de um trabalho preciso em que é possível direcionar os alunos a um resultado. “Trata-se muito mais de explorar um conceito do que de fazer algo específico”, elucida. Raul alertou que, à princípio, utilizar a sombra como um elemento de composição pode remeter a imagens com sombras bem marcadas e delineadas. Mas, para ele, as fotos mostradas por Leopoldo, com seus vários tons de cinza, ajudaram a mostrar que as sombras também podem ser suaves, delicadas. Krebs tem como referência peças de Man Ray. Em muitas delas, o enquadramento é pensado a partir da sombra, não do objeto. Em outras, há desenhos de sombras no corpo humano. “Uma característica importante de suas composições são as sombras duplas, triplas, quádruplas, usadas como elementos de composição. Várias luzes são posicionadas sobre o mesmo objeto”, apontou.

Foto: Man Ray

Foto: Man Ray

Foto: Man Ray

Leopoldo afirma que, na tentativa de trabalhar com sombra, vale observar fotos e desvendar como o fotógrafo pensou a luz, de onde ela vem, por que ela ficou interessante. Krebs completa aconselhando que se pense as posições em função da sombra. Por fim, com a ajuda da pergunta de uma aluna, os dois celebraram que a multiplicidade da tarefa transcendia desde seu título, que poderia ser escrito com crase, sem crase ou com H:

A sombra da luz

À sombra da luz

Há sombra da luz

Até agora, foram realizados exercícios preliminares explorando o assunto. Os trabalhos finais serão entregues na segunda semana de junho e terão a avaliação dos fotógrafos e professores do curso Eduardo Veras e Guilherme Lund.

Como referência e inspiração, Leopoldo Plentz mostrou o trabalho “Sombra de Dúvida”, de Rogério Medeiros. Nele, o fotógrafo gaúcho radicado em São Paulo explora situações simples, mas marcadas por luz e sombra, trabalhando sempre com essa ambiguidade. As obras que formam a série foram concebidas como contraponto ao seu trabalho com publicidade e buscaram capturar sombras encontradas sem a interferência de posicionamentos, ângulos ou intensidades de luz. Para a jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichett, a mostra é um “jogo do olhar”: “as fotografias nos desconcertam: não definem, não afirmam, simplesmente apontam”.

Foto: Rogério Medeiros

Foto: Rogério Medeiros

O professor também expôs em aula o trabalho de duas artistas que não são fotógrafas, mas dialogam com o tema da luz e da sombra em seus trabalhos. A primeira é a desenhista e escultora chinesa Kumi Yamashita, que provoca sombras com a manipulação de luzes sobre números, pessoas e objetos, sempre enfatizando sua multiplicidade de formas, abordagens e resultados. Seu objetivo é mostrar que nem sempre as coisas são o que parecem.

Kumi Yamashita

Kumi Yamashita

Outra indicação de Leopoldo é a exposição “Mil e um Dias e Outros Enigmas”, de Regina Silveira, sediada no Iberê Carmargo. As obras expostas, em caráter retrospectivo, abordam a questão da luz e da sombra. A curadoria é do colombiano José Roca, parceiro da artista em outras duas mostras: Sombra Luminosa (2008 – Museu de Arte Banco de la Republica, Bogotá, e de Antioquia, Medellín, Colômbia) e Linha de Sombra (2009 – Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro).  No primeiro andar, todas as peças são marcadas pela sombra, um dos traços visuais característicos do trabalho de Regina, que tem como objetivo declarado entender o que existe entre um objeto e sua sombra. O espaço arquitetônico do museu também dialoga com as obras, com sua iluminação natural, suas sombras e a relação do interior da construção com o exterior.

Regina Silveira

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