Como tirar fotos na chuva



Como tirar fotos na chuva

Como Fotografar Chuvas de Meteoritos

 

 Foto do Cometa Boattini, 1° EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia). Os cometas são os corpos parentais das chuvas de meteoros

 

O que são chuvas de meteoros?

À medida que a Terra percorre sua órbita ao redor do sol, inúmeros fragmentos deixados por cometas ocasionalmente entram em seu caminho e acabam por reentrar na atmosfera terrestre. Esses fragmentos viajam a velocidades cósmicas e uma grande quantidade de energia é liberada em forma de calor e luz provocando o fenômeno conhecido como meteoro.

Os meteoros ocasionados pelos fragmentos liberados por cometas e capturados pela Terra se distinguem dos meteoros observados esporadicamente a qualquer noite por três fatores:

1)     Direção ou Radiante

Imaginemos que a terra seja uma “nave espacial” e que estamos sentados ao banco do “motorista” e olhando atentamente para o “pára-brisas”. De repente deparamos com uma “família” de fragmentos que tranquilamente atravessa a estrada “orbita” da Terra. Como não é possível frear a “nave” terra, essa “atropela” a “família” de fragmentos, caindo em cima do “pára-brisas” da “nave”. Felizmente a “nave” é dotada de um “pára-brisas” extremamente potente e nos protege de ser atingidos de cheio pelos fragmentos.  O “pára-brisas” representa a atmosfera terrestre que nos protege dos impactos dos fragmentos, a direção que esses fragmentos “surgem” é sempre a mesma e no caso das chuvas de meteoros chamamos de radiante. Nessa representação imaginária o “pára-brisas” da nossa “nave” Terra é a direção do céu que “aponta” para a direção que a Terra segue o seu trajeto ao longo de sua órbita. O céu noturno é mapeado ou dividido em constelações. A constelação que marca o aparecimento do chuveiro empresta o nome para o mesmo. Assim, a chuva que tem como radiante a constelação de Leão denomina-se Leonídeos, a que tem a se originam na constelação de Órion, denomina-se Orionídeos, etc. Eventualmente algum fragmento consegue passar pela atmosfera terrestre e acaba por chegar ao solo. A partir daí esse fragmento passa a se chamar meteorito.

 

2)     Periodicidade

Tanto a órbita terrestre quanto as órbitas dos cometas são plenamente definidas e periódicas. Ao longo do período orbital da Terra de 365 dias inúmeras órbitas conhecidas de cometas se encontram com a da Terra. Esses encontros marcam as chamadas chuvas de meteoros. Ao longo do ano, inúmeras chuvas foram observadas e tabeladas:

Nome

Máximo

Taxa

Constelação

Quadrantideas

03 de janeiro

120

Boeiro

Lirideos

22 de abril

15

Lira

Eta-Aquarantideas

05 de maio

30

Aquário

Delta-Aquarantideas

29 de julho

15

Aquario

Perseidas

12 de agosto

80

Perseu

Orionídeas

12 de agosto

20

Orion

Taurideas

04-12 de novembro

10

Touro

Leonídeas

17 de novembro

100

Leão

Geminídeas

14 de dezembro

80

Gemeos

 

3)     Intensidade

Finalmente, as chuvas de meteoros se diferenciam dos meteoros convencionais pela sua grande intensidade. Porém, entre os três fatores esse é o menos previsível. Ocasionalmente um chuveiro pode ter uma grande intensidade em um ano e no outro ser uma decepção. A previsibilidade das chuvas é parecida com a dos brilhos ou magnitudes que os cometas podem atingir. Um grande exemplo é o caso do cometa Halley que despertou tanta atenção na sua última passagem e foi bem menos expressivo.

 

É através desses três fatores relacionados aos chuveiros de meteoritos que faremos o planejamento das fotos. O radiante nos dará a direção que devemos enquadrar a máquina fotográfica, pois é a partir dessa direção que prováveis meteoros irão “aparecer”. Com um pequeno conhecimento da esfera celeste já é possível definir as principais constelações e as que definem os radiantes como Órion ou Leão. Pode-se lançar mão de planisférios, mapas celestes ou programas de computador tipo “planetário”. Esses programas são excelentes para o conhecimento de objetos celestes. Bastando informar ao software a localização geográfica e a data e hora locais que ele exibirá na tela do computador uma representação corrente do céu com as indicações de todas as constelações.

 

O segundo parâmetro, periodicidade, nos ajuda a escolher qual a melhor época do ano devemos tentar fotografar as chuvas de meteoros, bastando para isso a consulta em uma simples tabela. O último parâmetro, por sua vez, pode nos dar uma indicação de qual chuva pode ser mais intensa do que outra e escolher a que pode fornecer melhores resultados. Lembrando mais uma vez que as predições de intensidade de chuvas de meteoritos não são muito confiáveis na prática.

 

Equipamentos necessários

Já sabendo a direção e períodos que provavelmente a chuva de meteorito ocorrerá, resta saber quais equipamentos são necessários e como proceder.

“setup” utilizando uma Digital reflex com cabo disparador tipo timer. Grande flexibilidade e um custo relativamente alto

 “setup” utilizando uma digital compacta. Baixo custo, porem apresenta grande limitação no tempo de exposição e pode ser difícil de obter foco

 

Máquina fotográfica

Inúmeras opções de máquinas podem ser utilizadas desde que apresente a seguinte característica fundamental: ser capaz de efetuar tomadas de longa exposição. Nas máquinas mais antigas de filme SLR esse modo era chamado modo B ou “Bulb”. Através desse modo e com o auxílio de um cabo disparador é possível efetuar exposições de poucos minutos a horas. Atualmente o uso do filme para astrofotografia (fotografar chuva de meteoros não deixa de ser astrofotografia) já caiu em desuso frente às enormes vantagens da era digital sobre o filme (seria necessário outro artigo para discorrer sobre esse tema). Tanto as digitais compactas com as DSLR podem ser usadas. O inconveniente das compactas é que o tempo de longa exposição é geralmente limitado em 30s. Algum resultado é possível, mas atualmente as melhores máquinas para essa finalidade são as Digitais Reflex ou DSLR. São a evolução natural das SLR podendo ter as lentes intercambiáveis e longa exposição através de cabo disparador em modo “B”. 

Lente

O campo que se deseja fotografar chuvas de meteoros é amplo. As lentes mais adequadas para esse fim são as grande angulares ou até mesmo a lente “padrão” de 50mm. Cabe ressaltar a questão do crop 1,6x ao usar as DSLR. Ou seja, para ter o mesmo efeito que os 50mm nas SLR é necessária uma lente de 32mm nas DSLR. Sempre prefira lentes fixas. Essas apresentam uma qualidade ótica muito superior as lentes tipo ”zoom”. É bom também que a lente seja rápida, preferencialmente no mínimo f/3.5. Melhor seria f/2.8 ou mais luminosa. Gosto muito de utilizar lentes das máquinas analógicas antigas nas modernas DLSR. A CANON é a máquina que aceita o mais variado número de lentes de diferentes fabricantes através do uso de um adaptador. Atualmente utilizo a linha de lentes OM na CANON 350D através de um adaptador OM-EOS. 

Cabo disparador

Uma vez que efetuar fotos de longa exposição é uma necessidade ao fotografar chuvas de meteoros, é imprescindível o uso de um cabo disparador. Caso opte por fotografar utilizando SLR analógicas, o cabo é mecânico e aciona o obturador através de uma haste que fica presa durante todo o tempo que se deseja efetuar a tomada. Nas câmeras DSLR o cabo disparador é eletrônico, constituído basicamente de um contato que se fecha para abrir o obturador e abre para fechar o mesmo. Esse é o tempo total de integração da foto. O cabo disparador CANON RS-60E3 disponibiliza essa função básica. A CANON ainda disponibiliza um cabo disparador com timer, permitindo programar uma seqüência de exposições com um determinado tempo da exposição.

 

Tripé

As chuvas de meteoritos ocorrem em um determinado radiante e uma integração longa é necessária. Assim, é necessário manter todo o setup enquadrado na direção desejada e qualquer movimento pode arruinar a foto. Desta maneira é imprescindível ter a mão um bom tripé que permita regular a atitude da câmera na direção desejada. Isso geralmente é feito através de uma cabeça giratória que vai aparafusada no tripé.
 

Procedimento 

Uma vez tendo planejado o campo da foto, consultando mapas ou planisférios a respeito da localização do radiante, a montagem do setup é simples. Assim como a efetiva realização das fotos. 

Após posicionar a câmera no tripé, ajuste o foco da câmera no infinito. Aqui é muito importante acionar o botão para desligar o auto-focus (AF) da câmera e ajustar a lente manualmente. Se o AF estiver acionado, a máquina não irá conseguir fazer o foco automático e efetuar a foto. 

Em seguida efetue o enquadramento da foto. Uma boa dica é o uso de um apontador tipo “green laser”. Com o auxilio do mesmo é possível “desenhar” no céu a região enquadra e observar ao mesmo tempo pelo visor da câmera. Muitas vezes não é possível a visualização de estrelas mais fracas por esse visor como meio de orientação. Porém, o feixe do Green laser é facilmente visível sendo possível efetuar o desenho do “retângulo” que engloba o campo de interesse. Ajuste o campo e aperte os parafusos de travamento da cabeça giratória. Enquadre a foto de maneira com que o centro do campo fica a uns 20 a 30 graus do radiante. Evite fotografar regiões muito próximas ao horizonte. 

Após o enquadramento ter sido feito, ajuste o anel do diafragma em abertura máxima. Somente feche 1 ou 2 pontos se a lente for muito “rápida” como f/1.4 ou f/1.8. Nessas lentes a distorção é muito pronunciada quando utilizada em modo totalmente aberta. 

Finalmente o último parâmetro é o tempo de exposição a ser escolhido. Essa escolha vai sofrer duas influências: PL (Poluição Luminosa) e Movimento de rotação da terra.

Em lugares de PL severas e mesmo moderada, não será possível realizar fotos de chuvas de meteoros com boa qualidade, pois o nível de iluminação do fundo do céu irá fazer com o que o fundo de céu da foto fique avermelhado e, em alguns casos severos, toda a informação obtida na foto será “lavada” pela luz proveniente da PL. 

Outro fator, de menor importância é a questão da rotação das estrelas no campo da foto. Esse efeito não é tão prejudicial quanto a PL, sendo que ate muitas vezes pode até mesmo ser desejado pelo fotógrafo como um efeito artístico. O tempo máximo de integração vai variar de local para local, sendo escolhido em função das duas variáveis expostas. Em geral, tempos de 5 a 15 minutos apresentam bons resultados. 

Finalmente, resta planejar o número de exposições da seqüência. Ou seja, quantas exposições no tempo de integração escolhido serão realizadas. Aqui fica a critério do fotografo. Podendo-se fazer desde algumas poucas integrações ou até mesmo deixar o timer da câmera programado para realizar as exposições durante toda a noite. Quanto maior o numero de exposições, maior será a probabilidade de conseguir um bom resultado.

 



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